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O cemitério da IA: o que produtos encerrados ensinam a quem está investindo
Uma lista mantida pelo TechCrunch reúne produtos e startups de inteligência artificial que fecharam, mudaram de rumo ou ficaram abaixo do esperado. Os casos mostram padrões úteis para qualquer empresa que esteja apostando em IA.

Nem toda aposta em inteligência artificial chega a bom termo, e isso vale tanto para startups quanto para as maiores empresas de tecnologia do mundo. Segundo o TechCrunch, que mantém uma lista atualizada de projetos de IA que não deram certo, o setor já acumula um verdadeiro cemitério de produtos encerrados, reformulados ou que simplesmente não entregaram o que prometiam.
O fenômeno não se limita a lançamentos públicos. Dados da S&P Global Market Intelligence citados na reportagem indicam que cerca de 42% das iniciativas de IA acabam abandonadas pelas próprias empresas que as criaram. Os motivos vão de falta de recursos e dificuldades técnicas a concorrência, problemas para escalar e baixa demanda dos usuários.
Quando a grande plataforma absorve o produto
Um dos padrões mais claros é o do produto que perde a razão de existir quando um gigante passa a oferecer algo parecido dentro de suas próprias ferramentas. A Relay, ferramenta de automação de fluxos de trabalho com agentes de IA pensada como alternativa ao Zapier, encerrou as atividades em agosto, após cinco anos. À medida que OpenAI, Google e outras plataformas incorporaram automações semelhantes, ficou difícil justificar um produto independente.
Algo parecido aconteceu com o Huxe, aplicativo criado por ex-desenvolvedores do NotebookLM, do Google, que transformava textos em áudio no estilo podcast. Ele fechou em maio de 2026, em parte porque plataformas maiores, como o Spotify, passaram a oferecer recursos semelhantes para audiências já consolidadas. Já o Notion Mail, lançado em abril de 2025 para organizar caixas de entrada com IA, tem encerramento previsto para 22 de setembro: a empresa percebeu que os usuários preferiam usar agentes de IA separados para cuidar dos e-mails.
Nem os gigantes estão imunes
A OpenAI também coleciona tropeços. Em 9 de julho, a empresa tentou transformar o ChatGPT em um superaplicativo, com modos separados e a versão tradicional rebatizada de ChatGPT Classic. Os usuários acharam a interface confusa e poluída, e a mudança foi desfeita pouco depois. Em outra frente, a estratégia de concentrar recursos no ChatGPT funcionou melhor: o navegador ChatGPT Atlas durou menos de um ano e foi descontinuado em 9 de agosto, com suas funções mais úteis incorporadas ao assistente, assim como ocorreu com o agente Operator e, em boa medida, com o DALL-E. A plataforma de vídeos Sora, com custos altos e dificuldade de reter usuários, foi encerrada em março de 2026.
A Apple adiou várias vezes a nova Siri anunciada com o Apple Intelligence em 2024, alegando problemas de engenharia e falhas. O atraso contribuiu para um acordo de 250 milhões de dólares relacionado à forma como a empresa divulgou os recursos de IA do iPhone 16. A Microsoft, por sua vez, enfrentou forte reação ao Recall, recurso que tirava capturas de tela periódicas do computador. Críticos apontaram o risco de criar um arquivo pesquisável de senhas, mensagens e dados financeiros. O lançamento foi adiado por quase um ano e, mesmo após mudanças, um pesquisador de segurança criou uma ferramenta capaz de extrair os dados capturados.
Hardware, custos e riscos jurídicos
No hardware, o Humane AI Pin captou 230 milhões de dólares, mas sofreu com desempenho fraco e um alerta de risco de incêndio na bateria do estojo de carregamento. O negócio foi encerrado em fevereiro de 2025, e a maior parte dos ativos foi comprada pela HP por 116 milhões de dólares. O Rabbit R1 vendeu 100 mil unidades logo após o lançamento, mas foi descrito como inacabado; a empresa segue atualizando o aparelho.
Custos e encaixe de mercado também pesaram. O Yupp, que permitia comparar respostas de mais de 800 modelos, fechou em março de 2026 por não alcançar aderência suficiente. A Figgs AI reuniu mais de um milhão de usuários, mas manter o serviço gratuito ficou caro demais. E a Character.ai, que chegou a ser avaliada em 1 bilhão de dólares, pediu falência no início de outubro após processos de famílias, uma notificação da Disney e pressões regulatórias e operacionais.
O que isso significa para as empresas
Para quem está decidindo onde investir em IA, os casos oferecem lições práticas. Antes de adotar uma ferramenta de nicho, vale perguntar se o recurso pode ser incorporado em breve pelas grandes plataformas que a empresa já usa, o que reduziria a vida útil da solução contratada. Para quem desenvolve produtos, a mesma pergunta define se há espaço real para uma oferta independente.
Também convém tratar privacidade, segurança e conformidade jurídica como requisitos desde o início, e não como ajustes posteriores. Por fim, os exemplos mostram que número de usuários não basta: custo de operação, retenção e uso efetivo no dia a dia são os indicadores que sustentam um projeto de IA ao longo do tempo.
Com informações de TechCrunch.
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